Mesmo quando a rotina muda nas férias, pequenos momentos previsíveis e afetuosos ajudam a criança com TEA a se reorganizar com mais calma e segurança.
A casa está mais cheia, os horários já não fazem sentido, o barulho aumenta e a rotina que sustentava o dia simplesmente desaparece. Para muitas famílias, as férias chegam assim: intensas, desorganizadas e emocionalmente exigentes. Para quem convive com o autismo infantil, esse período costuma ser ainda mais desafiador.
É comum que os pais se sintam inseguros. Surge o medo de “regredir” nos avanços conquistados, a culpa por não conseguir manter tudo estruturado e a dúvida constante sobre como agir. As férias, que socialmente são associadas ao descanso, muitas vezes se transformam em um teste emocional. E isso precisa ser dito com clareza: não é falta de cuidado, é o impacto real da quebra de rotina.
A rotina no autismo infantil tem um papel central no desenvolvimento e na regulação emocional. Quando ela se rompe, o desafio não é apenas para a criança, mas também para quem cuida.
Crianças com Transtorno do Espectro Autista costumam se organizar melhor em ambientes previsíveis. A rotina estruturada oferece segurança emocional, ajuda na compreensão do mundo e reduz a ansiedade.
Durante as férias, essa previsibilidade se perde. Mudam-se os horários, os espaços, as pessoas e até os estímulos sensoriais. Viagens, visitas de familiares, mais barulho e menos pausas podem gerar um verdadeiro excesso de informações.
Nessas condições, algumas reações são comuns:
É importante reforçar: essas reações não indicam falha no desenvolvimento. Elas são respostas naturais à mudança de rotina no TEA. E, principalmente, a culpa não é dos pais.
Enquanto a criança tenta se reorganizar internamente, o coração dos pais também tenta acompanhar o caos externo. Muitos responsáveis se veem pressionados a “dar conta de tudo”: manter estímulos, garantir lazer, evitar crises e ainda corresponder às expectativas da família.
Quando a criança se desregula, surge a sensação de fracasso. A ideia de que “eu deveria ter feito diferente” aparece com força. Esse sentimento é comum e profundamente humano.
Acolher-se também faz parte do cuidado. Pedir ajuda, dividir tarefas e reduzir expectativas não é desistir, é proteger a saúde emocional da família. Nenhuma criança precisa de pais perfeitos. Precisa de adultos disponíveis, reais e afetivamente presentes.
As férias não precisam ser rígidas para serem seguras. Pequenos ajustes podem fazer diferença significativa no dia a dia.
Algumas estratégias possíveis:
Férias não precisam ser perfeitas. Elas precisam ser acolhedoras.
As férias passam. A rotina retorna. E os vínculos permanecem. Apesar das dificuldades, esse período também cria memórias, fortalece relações e ensina novas formas de adaptação.
No autismo infantil, cada família encontra seu próprio ritmo. Não existe um modelo ideal, apenas o que faz sentido para aquela realidade. Acolher a criança e acolher-se no processo é o que sustenta o desenvolvimento ao longo do tempo.
Com cuidado, empatia e suporte adequado, é possível atravessar as férias com mais leveza, mesmo quando o coração precisa de um tempo maior para se reorganizar.
Acreditamos que cada família merece acolhimento, inclusive nos momentos de maior desafio. Estamos ao seu lado em cada etapa dessa jornada. Venha nos conhecer.
Por que as férias desorganizam crianças com autismo infantil?
Porque a quebra da rotina e da previsibilidade afeta diretamente a segurança emocional.
Essas mudanças significam regressão no desenvolvimento?
Não. São respostas naturais à mudança de rotina no TEA, especialmente em períodos intensos como as férias.
Como os pais podem atravessar esse momento com mais leveza?
Criando micro-rotinas, celebrando pequenas vitórias, reduzindo expectativas e praticando o acolhimento, da criança e de si mesmos.
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